Agentes de IA Mudam a Dinâmica da Segurança de Identidade
Os agentes de IA estão deixando de ser meras ferramentas para se tornarem quase como colegas de trabalho com acesso aos sistemas.
Eles conseguem escrever código, consultar dados, atualizar arquivos, resumir registros de clientes, disparar fluxos de trabalho e continuar operando mesmo depois que a pessoa que os iniciou já encerrou o expediente. Isso é extremamente útil, mas também levanta uma questão que as equipes de segurança precisam responder rapidamente: o que esse agente realmente consegue acessar?
Este artigo é baseado no webinar da Segura®, “Identity Security Beyond PAM: From Discovery to AI Agents”. Joseph Carson, Evandro Gonçalves e Bill Willis, CTO da IDMWORKS, debateram por que a segurança de identidade agora precisa cobrir usuários humanos, contas de serviço, identidades de máquinas, workloads e agentes de IA.
A pergunta central mudou:
“Quem tem acesso ao quê” agora passou a ser “quem e o que tem acesso ao quê”.
Esse “o que” inclui agentes de IA, automações, scripts, workloads, contas de serviço e processos temporários que podem surgir, agir e desaparecer antes mesmo de uma auditoria trimestral tomar conhecimento.
Principais destaques
- Agentes de IA usam acessos preexistentes: Um usuário do financeiro, desenvolvedor ou analista de dados pode iniciar agentes que operam em diversos sistemas 24 horas por dia.
- Acessos inativos voltam a ser utilizados: Permissões obsoletas, contas de serviço abrangentes e acessos legados por função dão mais margem de atuação aos agentes.
- A descoberta precisa monitorar comportamentos: As equipes precisam saber o que gerou o acesso, o que o utilizou e se essa atividade é legítima.
- A revisão humana continua essencial para tarefas de alto risco: Pagamentos, dados de clientes, informações de saúde, alterações em produção e fluxos regulados exigem limites de aprovação.
- A segurança de identidade além do PAM conecta múltiplos pilares: Integra descoberta, PAM, IGA, SOC, DevSecOps e evidências de auditoria.
Agentes de IA Podem Transformar o Acesso de Um Único Usuário em Múltiplas Identidades Ativas
Os agentes de IA mudam a segurança de identidade porque eles executam ações de forma autônoma. Eles recebem uma tarefa, utilizam ferramentas, chamam sistemas e continuam trabalhando. Bill Willis explicou a motivação de negócios no webinar: as empresas querem produzir mais com menos recursos, e a IA permite que uma única pessoa crie uma equipe de personas digitais trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana. Essa equipe, no entanto, precisa de acesso.
Se um usuário pode acessar registros de clientes, código-fonte, ambientes em nuvem, aprovações de pagamento ou ferramentas de produção, um agente poderá operar dentro desses mesmos fluxos.
Bill destacou o risco em termos corporativos:
“A pessoa que pode assinar um cheque de um milhão de dólares, a pessoa que transfere a folha de pagamento, a pessoa que gerencia os benefícios e os seguros. São exatamente essas pessoas que, ao criarem inteligência artificial com seus privilégios, elevam a superfície de ataque ao seu nível de risco mais alto.”
É por aí que as equipes de segurança devem começar:
Identifique as pessoas cujos acessos podem movimentar dinheiro, alterar dados de clientes, manipular dados regulados ou impactar o ambiente de produção. Em seguida, mapeie quais agentes, automações e fluxos delegados podem fazer uso dessas permissões.
Credenciais Roubadas Mostram Por Que Agentes de IA Exigem Controles de Identidade Mais Rígidos
A campanha de roubo de dados de clientes no Snowflake ilustra por que o acesso legítimo precisa de uma análise mais rigorosa.
A Mandiant relatou que o grupo UNC5537 usou credenciais roubadas para acessar ambientes de clientes no Snowflake. Foram notificadas cerca de 165 organizações potencialmente expostas. A Mandiant ressaltou que a campanha evidenciou a necessidade de monitoramento de credenciais, aplicação de MFA, controles de local confiável para sistemas críticos e alertas sobre tentativas de acesso anômalas.
A relação com a IA está no acesso. Agentes, assim como atacantes em posse de credenciais válidas, conseguem operar dentro de sistemas autorizados quando os controles de identidade são frágeis. O relatório Cost of a Data Breach Report 2025 da IBM apontou que 13% das organizações relataram violações envolvendo modelos ou aplicações de IA, e 97% dessas empresas não possuíam controles de acesso adequados para IA.
A adoção de IA está avançando mais rápido do que a governança de acesso a ela.
A Acumulação de Privilégios Dá aos Agentes de IA Mais Margem de Atuação
A acumulação de privilégios (privilege sprawl) sempre foi um problema.
Pessoas mudam de cargo, mas acessos antigos permanecem. Contas de serviço mantêm permissões amplas. Acessos emergenciais se tornam rotina. Privilégios em aplicações ficam ocultos dentro dos sistemas de negócios.
Os agentes de IA podem reativar esses acessos inativos. Joseph Carson explicou o risco no webinar: se as organizações não limparem os privilégios e não adotarem o privilégio mínimo, a IA pode criar múltiplas identidades ou identidades delegadas com base nessas permissões existentes. O acesso de um único contador pode se transformar em dezenas de identidades operando sem parar.
Bill utilizou uma frase marcante para as equipes de segurança:
“A IA vai encontrar todas as falhas no seu ambiente atual e explorá-las ao máximo.”
O trabalho começa pelo básico:
- Remover acessos que os colaboradores não utilizam mais
- Reduzir privilégios permanentes
- Aplicar a segregação de funções em aplicações de negócios
- Cofrar credenciais privilegiadas
- Migrar o acesso privilegiado para o modelo Just-in-Time
- Revisar contas de serviço e identidades de máquinas
- Monitorar agentes de IA utilizando acessos humanos
Esses controles já eram essenciais. A IA apenas torna o adiamento deles inviável.
As Diretrizes de Agentes de IA Exigem Controles de Acesso como Retaguarda
Evandro Gonçalves compartilhou um exemplo simples ao testar um agente de IA em sua estação de trabalho.
Ele pediu ao agente para alterar e excluir arquivos. O agente concluiu a ação sem solicitar qualquer confirmação de privilégio no nível da máquina.
Esse tipo de agilidade é útil no fluxo correto, mas se torna altamente arriscado quando o agente interage com Salesforce, consoles de nuvem, sistemas de chamados, repositórios, bancos de dados internos ou ambientes de produção.
Bill apresentou um conjunto direto de regras operacionais durante o webinar:
“Não desvie do objetivo. Não presuma. Aprofunde-se. Não publique sem aprovação. Registre tudo.”
Regras Operacionais para Agentes de IA

Diretrizes de prompt ajudam, mas o controle de acesso, os fluxos de aprovação, o monitoramento e os registros de auditoria são o que realmente garantem a aplicação dessas regras.
A Descoberta de Identidades Exige Sinais em Tempo Real
A descoberta não pode se limitar a usuários e contas conhecidas. A segurança de identidade precisa visualizar humanos, contas de serviço, identidades de máquinas, workloads, agentes de IA, scripts e automações.
Bill afirmou que o setor precisa encarar a descoberta no nível de eventos e sinais. As equipes precisam saber quem ou o que gerou um evento, onde ele surgiu, se outros sistemas o reconhecem e qual ação deve ser tomada a seguir.
As perguntas fundamentais são simples:
- Qual identidade ou agente gerou esta atividade?
- Qual sistema foi acessado?
- Quais dados foram manipulados?
- O acesso foi aprovado?
- As soluções de PAM, IGA, gestão de acesso, SOC ou DevSecOps reconhecem essa ação?
- A equipe consegue pausar, isolar ou remover essa atividade?
Um inventário pontual pode deixar passar agentes e workloads que surgem, atuam e desaparecem entre um ciclo de revisão e outro.
Evandro destacou que a descoberta deve ser em tempo real sempre que possível. Caso não seja viável, as equipes devem executá-la com a maior frequência possível, idealmente a cada hora ou, no mínimo, diariamente.
Revisões Estáticas de Acesso Não Capturam Atividades Temporárias de Agentes de IA
Muitos programas de identidade ainda dependem de revisões periódicas. Uma conta de usuário existe, uma função existe, um direito de acesso existe e uma revisão verifica se aquilo ainda faz sentido.
Contudo, agentes de IA e workloads temporários operam em uma velocidade muito superior a esse processo.
Joseph mencionou que as identidades estão se tornando menos persistentes. Alguns workloads surgem, executam uma tarefa e desaparecem. Bill ressaltou que algumas das atividades mais críticas podem ocorrer em uma janela de apenas “3 a 5 milissegundos”.
Por Que as Revisões de Acesso Precisa de Sinais de Identidade

As revisões de acesso ajudam a confirmar se as permissões ainda fazem sentido. Já os sinais de identidade permitem visualizar atividades dinâmicas antes do próximo ciclo de revisão. Para agentes de IA e workloads temporários, as equipes precisam de ambos.
A Revisão Humana Continua Essencial para Fluxos Regulados de IA
Certas ações de IA exigem a presença de uma pessoa no processo de decisão.
Evandro destacou que a revisão humana continuará sendo fundamental porque sistemas de IA podem retornar resultados diferentes para o mesmo prompt. Bill complementou que áreas reguladas, como GDPR, dados pessoais, informações de saúde (PHI), PCI, transações financeiras e processos voltados ao consumidor, exigem uma alçada de decisão humana.
Um ponto de partida prático:
Ações de Agentes de IA por Nível de Controle

A empresa não precisa de uma única regra para todos os agentes de IA. Ela precisa de limites claros sobre o que os agentes podem fazer sozinhos, o que exige aprovação e o que deve ser bloqueado.
O Que Auditar Primeiro nos Agentes de IA Já em Uso
Evandro recomendou auditar antes de aplicar bloqueios rígidos quando os agentes de IA já estiverem em operação. Controles abruptos podem interromper o trabalho se a equipe de segurança ainda não entender como as pessoas estão utilizando esses agentes no dia a dia.
Comece pelos agentes com maior potencial de impacto nos negócios.
Checklist Inicial de Triagem de Agentes de IA

Isso fornece à equipe de segurança um diagnóstico rápido: quais agentes existem, quem é o responsável, o que eles alcançam e quais podem impactar o negócio.
A Segurança de Identidade Além do PAM Conecta PAM, IGA, SOC e DevSecOps
O risco associado aos agentes de IA não fica restrito a uma única ferramenta.
A solução PAM controla acessos privilegiados. O IGA gerencia a responsabilidade e o ciclo de vida. A gestão de acesso cuida da autenticação. As equipes de SOC monitoram o comportamento. O DevSecOps observa workloads, pipelines e alterações em produção. Os agentes de IA podem interagir com todas essas frentes.
Um programa moderno de segurança de identidade precisa integrar sinais entre:
- PAM: acesso privilegiado, cofres, controle de sessão, acesso Just-in-Time
- IGA: fluxos de entrada, movimentação e saída de colaboradores, revisões de acesso, atribuição de responsabilidades
- Gestão de Acesso: autenticação, SSO, MFA, acesso condicional
- SOC: alertas, análise comportamental, eventos de identidade, resposta a incidentes
- DevSecOps: pipelines, workloads, gestão de segredos, publicação em produção
- Auditoria e Conformidade: evidências, logs, aprovações, registros de políticas
Quando um agente de IA executa uma ação, a equipe deve ser capaz de responder:
- Quem o iniciou?
- O que ele acessou?
- Esse acesso foi aprovado?
- O que foi alterado?
- Esse comportamento deve continuar?
Isso é a segurança de identidade além do PAM.
Checklist: Como Proteger Agentes de IA e Identidades de Máquinas
Utilize este checklist para avaliar o seu programa atual:
- Você consegue manter humanos no fluxo de decisão para processos regulados ou de alto risco?
- As frentes de SOC, IGA, PAM, gestão de acesso e DevSecOps compartilham sinais entre si?
- Você consegue isolar ou desativar agentes que atuem fora das políticas?
- Você consegue registrar as ações dos agentes de forma auditável?
- Você consegue armazenar em cofre as credenciais usadas por agentes e automações?
- Você consegue migrar acessos privilegiados para o modelo Just-in-Time?
- Você consegue aplicar o privilégio mínimo antes que um agente execute uma ação?
- Você consegue ver quais dados um agente pode alcançar?
- Você consegue identificar quem é o responsável por cada agente de IA ou automação?
- Você consegue visualizar quais identidades estão ativas neste exato momento?
- Você consegue descobrir identidades humanas, de máquinas, contas de serviço, workloads e agentes de IA?
Se várias respostas forem “ainda não”, é muito provável que agentes de IA já estejam utilizando acessos que a sua equipe ainda não revisou.
A Segurança de Identidade Além do PAM Exige Descoberta e Controle em Tempo Real
Os agentes de IA estão transformando a gestão de identidades.
As equipes de segurança ainda precisam saber quem tem acesso ao quê, mas agora também precisam identificar quais agentes, contas de serviço, workloads, scripts e automações estão utilizando esses acessos pelo ambiente.
Isso exige descoberta contínua, captura de sinais de identidade, privilégio mínimo, acesso Just-in-Time, governança clara, auditabilidade e capacidade de resposta.
As empresas que estruturarem essa gestão com eficiência conseguirão visualizar o que está operando, entender os acessos concedidos, reduzir privilégios desnecessários e manter a supervisão humana onde o risco exigir.
Assista ao webinar: Teste a Sua Estratégia de Identidade para Agentes de IA
Você já conferiu os principais pontos. Assista ao webinar completo para acompanhar o debate aprofundado sobre a aplicação desses controles.
Joseph Carson, Evandro Gonçalves e Bill Willis detalham as decisões que as equipes de segurança precisam tomar agora, incluindo a responsabilidade sobre agentes de IA, quando manter humanos no fluxo de decisão, o que auditar primeiro e como a descoberta de identidades muda quando os acessos surgem e somem em milissegundos.
Controle o Acesso Antes Que os Agentes de IA o Utilizem
Os agentes de IA operam através dos acessos disponíveis para eles, e essas permissões muitas vezes já são mais amplas do que deveriam. É por isso que a segurança de identidade precisa começar com descoberta, governança e controle, antes que os agentes se tornem mais uma camada de acesso sem gerenciamento.
A Segura® ajuda as organizações a descobrir, gerenciar e controlar acessos privilegiados em identidades humanas, máquinas, contas de serviço e novos fluxos de agentes de IA.
Com a Segura®, as equipes fortalecem a segurança de identidade por meio de descoberta, visibilidade, governança de acesso, proteção de credenciais, controle de sessão, acesso Just-in-Time e evidências prontas para auditoria.
Forneça à IA menos acessos desnecessários. Ofereça à equipe de segurança uma visão clara do que está atuando no ambiente. Entregue aos auditores um registro completo de tudo o que aconteceu.
[Conheça a Plataforma Segura® 360° Privilege]
Perguntas Frequentes sobre Segurança de Identidade Além do PAM
O que significa segurança de identidade além do PAM?
Segurança de identidade além do PAM significa controlar o acesso privilegiado em usuários humanos, contas de serviço, identidades de máquinas, workloads, automações e agentes de IA.
Por que os agentes de IA alteram a segurança da identidade?
Os agentes de IA podem utilizar ferramentas, acessar sistemas e executar ações por meio de acessos herdados ou delegados. Isso exige que as equipes saibam o que os agentes podem alcançar, quem responde por eles e o que estão autorizados a fazer.
O que as equipes devem auditar primeiro em agentes de IA?
Comece identificando quais agentes de IA existem, quem é o responsável, a quais sistemas se conectam, quais acessos herdam, quais dados alcançam e se podem ser pausados ou removidos.
Com que frequência a descoberta de identidade deve ser executada?
O webinar recomenda a descoberta em tempo real sempre que possível. Caso não seja viável, a descoberta deve ser executada com a maior frequência que o ambiente permitir, idealmente a cada hora ou, no mínimo, diariamente.

